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CANDIDATO A MELHOR BLOG

VEGETARIANO/VEGAN 2016

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Sete meses de Baby Led Weaning

O piolho já completou 13 meses de idade, o que significa que já se iniciou no fantástico mundo das comidas há cerca de sete meses. Como devem saber, eu e o JD seguimos uma alimentação 100 % vegetal e somos adeptos do Baby Led Weaning (BLW) (se não sabem do que estou a falar podem ler toda a informação básica aqui). Hoje partilho convosco a nossa experiência e evolução do JD ao longo destes 7 meses. ​ Isto não é um modelo a seguir, até porque cada criança e família têm o seu ritmo que deve ser respeitado. Não há fórmula mágica nem tabelas nem gráficos que digam como deve comer um bebé.


Quando começámos… O JD começou a mostrar interesse na comida ainda antes dos 6 meses. Como eu almoçava muitas vezes com ele ao colo, frequentemente ele conseguia roubar qualquer coisa do meu prato e ocasionalmente levava à boca – podem vê-lo aqui com cerca de 5 meses e meio a provar o seu primeiro pedaço de manga. Penso que na altura fazia-o por necessidade de explorar e não por necessidade de comer (se é que ambas podem ser separadas). Só uns dias depois dos seis meses nos sentimo confortáveis para sentá-lo na cadeira pela primeira vez numa refeição e colocar-lhe alimentos à frente para ele explorar livremente. As primeiras refeições… A primeira vez que o JD se sentou na sua cadeirinha para experimentar comer ofereci-lhe brócolos e abóbora cozidos a vapor – podem ver a descrição aqui. Comecei por sentá-lo à mesa comigo ao pequeno-almoço e ao almoço. No início ainda partilhámos várias vezes o pequeno-almoço sentados no chão, como podem ver aqui, por ser mais fácil para ele uma vez que ainda era muito pequeno para estar confortável na cadeira. Nessa fase o JD ía para a cama antes do nosso jantar e por isso não fazia essa refeição. Estas primeiras refeições foram de pura brincadeira e pouco ou nada comeu. Sempre confiámos no processo e sempre seguimos a filosofia “ele come o que quer”.

Dos 6 aos 8 meses… Durante estes dois primeiros meses de BLW o JD não comeu grande coisa. Brincava muito com a comida, esfarelava tudo e espalhava tudo pela cadeira e pelo chão. Levava à boca e fazia muitas caretas e cara de agoniado (o famoso gag reflex). É um pouco aflitivo mas aprendemos a confiar nele e a acreditar que resolveria sozinho, e assim tem sido. ​ Nesta fase ofereci ao JD alimentos simples, geralmente vegetais cozidos a vapor (brócolos, cenoura, abóbora, pastinaga, etc) ou frutas cruas (banana, laranja, morango, tomate, abacate, etc). Notem que não existem alimentos proibidos no BLW e em teoria os bebés podem logo de início comer o mesmo que a família come desde que seja saudável, sem sal, sem mel e sem açúcar e sem riso óbviode engasgamento. Eu senti-me mais confortável em preparar alimentos que fossem fáceis de agarrar e de mastigar nesta fase. Dos 8 aos 11 meses… Só por volta dos oito meses é que o JD começou a ir naturalmente mais tarde para a cama e começou a jantar connosco. Nessa altura notei uma grande evolução na quantidade de comida que ele começou a comer – penso que o facto de se sentar à mesa também com o pai motivou-o a comer mais e a aguentar mais tempo à mesa. Assim, começou a comer ao pequeno-almoço, almoço e jantar à mesa, sendo o lanche geralmente umas dentadas aqui e ali que lhe vou oferecendo. A partir dos 7 meses e meio comecei a preparar-lhe comidas mais elaboradas, como hambúrgueres de leguminosas e bolachas de aveia (vou deixar em baixo todos os links para as receitas). O JD começou a mostrar as suas preferências e passou por várias fases de “obsessão” por certos alimentos. Começou por ser a fase dos morangos, mais tarde (e a mais notória) foi a do tomate - só se sentava à mesa se visse tomate. Depois passou para o abacate, que entretanto também já acalmou. Nesta fase nunca foi de comer muito e muitas vezes fartava-se de estar à mesa após 5 minutos.


A partir dos 11 meses… Aos 11 meses notei uma outra grande evolução na alimentação do JD. Esta fase coincidiu com a altura de férias, em que as refeições foram feitas com mais familiares e amigos, o que deixava o JD entusiasmadíssimo para estar à mesa e comer mais. Coincidiu também com a altura em que começou a andar, e talvez o maior consumo de energia lhe tenha dado mais apetite. Nesta fase, para além dos sólidos, comecei a preparar sopas passadas e a oferecer-lhas juntamente com um segundo prato, tanto deixando as colheres cheias para ele levar à boca (preloaded spoons) como a oferecer-lhe eu diretamente levando eu a colher à boca dele (mas sempre respeitando os sinais dele, esperando que ele abocanhasse a colher). Passámos uma fase (bem cansativa e irritante) em que ele levava a colher à boca e de seguida atirava-a para o chão e olhava para mim com ar desafiador (eles precisam de testar os limites). Felizmente já passou. Por esta altura comecei também a colocar-lhe a comida num prato com várias divisões (até então colocava no tabuleiro ou individual) e penso que isso também ajudou bastante a tornar os alimentos mais apelativos.

A partir dos 12 meses... A partir dos 12 meses começou a sujar menos e a deitar menos comida para o chão (embora ainda tenha as suas fases de delírio e por vezes vire o prato de pernas para o ar). A partir desta altura comecei a ser mais relaxada com a presença de sal na comida dele e, embora na grande maioria das refeições coma comida sem sal, ocasionalmente também come da nossa comida mesmo que contenha um pouco de flor de sal. Por exemplo, um prato que ele adora é massada de legumes que faço para nós os três. Também gosta de pratos de caril.

Neste momento estamos a atravessar outra fase complicada - nem sempre quer sentar-se à mesa nem ao almoço nem ao pequeno-almoço. Há toda uma casa para explorar e comer não faz parte das suas prioridades. Em compensação, ao jantar tem comido bastante (sopa e segundo prato). A nossa filosofia é oferecer sempre mas não forçar. Já nos apercebemos que quando ele tem fome ele senta-se à mesa prontamente ou aponta para os alimentos na bancada da cozinha. Se reclama quando o sento à mesa é porque não tem fome e nós respeitamos (ele ainda mama muiito, noite e dia). 

O que come a cada refeição… O pequeno-almoço é geralmente fruta. Por vezes optamos por um pouco de iogurte natural de soja não açucarado (de compra ou caseiro, feito na YogurtNest) com alguma fruta, sementes ou manteiga de amendoim ou de amêndoa (iogurte de soja natural com diospiro e sementes de cânhamo tem sido um hit ultimamente). Quando o tempo arrefecer estou a pensar em começar a preparar papas de aveia para ele comer à colher. Esta não é uma refeição em que o JD coma grande coisa.

O almoço e o jantar… Estas refeições são semelhantes com a diferença que à noite para além do prato ofereço também sopa ao JD uma vez que cá em casa comemos sempre sopa ao jantar, seguida de um segundo prato (o pai trabalha à noite e por isso a refeição é reforçada). Geralmente o prato do JD é comporto por: - uma leguminosa – lentilhas, ervilhas, favas, feijão, grão – simples ou incluídas em hambúrgueres e nas sopas. Sempre demolhadas pelo menos 12 horas e bem cozidas. - um ou dois hidratos de carbono - arroz, batata, batata doce, massa, quinoa, millet – simples ou incluídas em hambúrgueres. - um ou dois vegetais cozidos – brócolos, espargos, feijão verde, couve-flor, curgete, etc - fruta – tomate, qualquer outra fruta. - salada de abacate -  geralmente esmagado aproveitando assim para fazer o aporte de outros alimentos que sejam fontes de nutrientes importantes como a linhaça moída (fonte de ómegas), alga dulse (fonte de iodo), sementes de cânhamo (fonte de ómegas, proteína completa), ou misturado com alface finamente picada ou outros vegetais. Por vezes também ofereço o abacate em pedaços. A sopa é geralmente preparada com cenoura, curgete, chuchu, cebola, alho, batata branca ou batata doce, outros vegetais (espinafres, couve, alho francês, agrião, etc) e geralmente reforçada com uma leguminosa (feijão, lentilhas, grão, etc). A consistência é espessa para que seja mais fácil ele comer com a colher.

Os snacks Ao longo do dia, entre as refeições, vou oferecendo snacks ao JD, sobretudo quando eu também como ou se vamos à cozinha e ele aponta para a comida. Geralmente é fruta, tâmaras, bolachas de aveia (links para as receias em baixo). Utilmente anda fã das Just Granola Bars sem glúten de Chia e Canela da nossa loja. E tomate…Quando saímos de casa levo sempre snacks na mala. Ele não é de comer muito entre refeições, só duas ou três dentadas. ​


A amamentação… O JD mama em livre demanda desde os primeiros minutos de vida e assim continuará a ser enquanto eu e ele quisermos e pudermos. Durante os primeiros 4-5 meses mamou sempre dia e noite em intervalos de 1h30-2h. Com o passar do tempo começou a fazer intervalos maiores. Nos primeiros meses de introdução da alimentação complementar não vi nenhuma redução no número, duração e frequência das mamadas. Não impus nenhuma regra, como muitas vezes se ouve dizer que alguns pediatras recomendam, como não dar mama antes ou não dar mama a seguir para que eles comam. Acho que essas recomendações não têm sentido. Se ele preferir mama então mama. Se preferir a comida então pode comer. Ele guia o desmame. Talvez a partir dos 10 meses tenha começado a reduzir o número de mamadas diárias, não querendo mama a seguir ao almoço, por exemplo. Mas é algo que eu própria não controlo nem tenho grande noção de quantas vezes mama ou de quanto em quanto tempo. É algo que vai fluindo e acontecendo naturalmente no nosso dia a dia. O que diz o nosso médico… Nós nunca sentimos necessidade de ser acompanhados por um pediatra. O JD tem sido saudável e sempre que tenho dúvidas tenho conseguido esclarecê-las. Vamos apenas às consultas do plano do SNS no centro de saúde. O nosso médico de família sabe que somos vegetarianos e tem sido sempre muito respeitador das nossas opções. Em relação ao BLW, ele não tinha conhecimento e após a minha breve explicação ele só me disse “se o JD achar bem eu também acho”. "Nunca o conseguiu obrigar a mamar, pois não? Com a comida é a mesma coisa, não se obriga." Acho que os profissionais de saúde bem formados, quando vêm que os pais estão bem informados e os bebés são saudáveis e harmoniosos então dão-nos a liberdade de tomar as nossas decisões sem se intrometer demasiado.  Não somos perfeitos… Não quero que fiquem com a ideia que somos uma família super saudável e perfeita no que toca à alimentação. Também temos os nossos guilty pleasures, os nossos descontrolos, os nossos momentos de fraqueza. Um deles que acontece frequentemente é permitirmos que o JD coma pão branco. Temos sempre pão branco em casa porque o pai come diariamente (e eu ocasionalmente). O JD adora roer côdeas…Eu preferia que não gostasse porque é um produto refinado e com sal. Mas que mal virá ao mundo se ele roer uma côdea ocasionalmente? Confesso que por vezes o aliciamos a sentar-se à mesa com um pedaço de côdea porque estamos tão cansados ao final do dia que precisamos mesmo que ele se sente à mesa para que nós também possamos jantar. E temos também outros segredos que fogem da perfeição mas fazem parte da vida real, como sopas com sal (quando fico sem sopa dele e lhe ofereço da nossa) e bolos de aniversário com açúcar (em festas de aniversário, bolos veganos claro). Enfim, penso que não são crimes sujeitos a pena. São apenas situações da vida real que quero partilhar convosco porque não somos perfeitos!

O nosso limite é que não contenha produtos de origem animal. Falarei disso no blog No Colo da Mãe em breve (fiquem atentos). ​



​Cadeiras e outros acessórios… Começamos por ter uma cadeira alta que nos foi oferecida. Pouco a utilizamos porque ele não gostava. Era muito pequeno e ficava muito enterrado nela, não chegando bem aos alimentos sobre o tabuleiro. Mudámos para uma cadeira baratinha de prender na mesa e tem sido aí que tem comido. Acho que o facto de estar mesmo à mesa e mais próximo de nós fez toda a diferença. Tem a desvantagem de ser de pano e de estar sempre nojenta (mesmo nojenta…). Temos uma outra cadeira daquelas que plástico e metal que geralmente há em restaurantes (veio do restaurante dos meus papás) que anda na mala do carro para o caso de comermos fora e não existir cadeira para bebé. Dá um jeitão e é fácil de limpar. Tem a desvantagem do JD se conseguir colocar em pé nela em dois segundos (requer supervisão permanente).

Também usámos durante uns tempos o Tidy TOT e foi uma grande ajuda pois realmente reduz a quantidade de comida que vai para o chão. Mas como mudámos para a cadeira de prender à mesa tivemos de deixá-lo porque não dá para o prender eficazmente. Neste momento usamos um plástico sobre a toalha de mesa (porque estava farta das nódoas que não saiam…) e um individual de plástico sobre o qual colocamos o prato dele.

O prato com divisões, como disse anteriormente, acho que fez toda a diferença para tornar a refeição mais apelativa. O nosso é um prato de loiça que mais uma vez veio do restaurante dos meus papás, mas tenho andando a namorar os Minimats EZPZ que por serem de silicone aderem às superfícies e poderem ir ao forno, máquina de lavar e micro-ondas. Quem tem recomenda!

O copo do JD é uma chávena de café de plástico transparente – era o que tinha cá em casa e tem boas medidas para ele agarrar. Ainda assim, eu ajudo-o a segurar o copo porque ele ainda não consegue controlar o volume de água e geralmente engasga-se quando o deixo agarrar sozinho, ou entorna tudo por divertimento. Existem uns copos ergonómicos que poderão ajudar (os Doidy Cups) caso queiram investir.

Os talheres do JD por enquanto são colheres de plástico e borracha que herdou das primas. Não são as mais apropriadas para ele segurar (são feitas para as mãos dos adultos – nada como as Kizingo que são super ergonómicas para eles) mas ele lá se vai desenrascando com uma ajuda ocasional. Ele já percebeu que os nossos talheres são diferentes e muitas vezes pede-me a minha colher ou o meu garfo e eu deixo-o explorar.

Seguem então os links para as receitas que tenho vindo a preparar para o JD: Hambúrgueres de Feijão e Quinoa Hambúrgueres de Lentilhas, Batata Doce e Beterraba Hambúrgueres de Feijão e Batata Doce Bolinhas de Grão e Millet Croquetes de Quinoa e Feijão Croquetes de Ervilha e Batata Doce Bolachas de Aveia, Côco e Cenoura Bolachas de Aveia, Canela e Gengibre Bolachas de Aveia, Banana e Tâmaras Bolachas de Côco

Em jeito de balanço, os maiores desafios do BLW para nós têm sido 1) aprender a confiar no bebé e no seu apetite natural, 2) aprender a tolerar a sujidade à hora da refeição. É preciso um exrcício mental constante para esquecer e ignorar a expetativa social Espero que este artigo vos seja útil e já sabem - evitem comparações porque cada bebé é um bebé!