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O parto da Joana Carolina - parto em casa


Esta é a história de como nasceu a Joana Carolina e de como eu renasci enquanto mãe e mulher. Esta é a história de um parto em casa, que sei que poderá causar muita estranheza, curiosidade, dúvidas. Alguns de vocês poderão até pensar que é uma loucura, uma inconsciência, algo extremamente arriscado. Percebo toda essas dúvidas e quero muito falar sobre a segurança de um parto em casa mas primeiro quero contar-vos a história de tudo o que se passou, antes que a memória me pregue uma partida e transforme toda a magia que vivi numa leve nuvem cinzenta.



Dia 13 de fevereiro de 2019, são 6 horas da manhã e o João chega a casa do trabalho. Como habitual vai dar-me um beijinho à cama e sai do quarto fechando a porta atrás de si. O barulho acorda o João Diogo que logo pede maminha. Eu dou maminha, contrariada porque as mamas nos últimos dias estavam tão sensíveis que amamentar tornou-se mesmo um acto de sacrifício. Nos últimos três dias tinha estado de cama, com tosse e dores no corpo, sem qualquer energia, nervosa que a bebé decidisse nascer e eu não tivesse forças para o parto. "O corpo é sábio, Joana. Geralmente não entra em trabalho de parto se não vai conseguir cumprir a sua missão.", disse-me a Raquel, a nossa enfermeira parteira, um anjo caído do céu, na visita de acompanhamento na nossa casa no dia anterior. Mas nessa manhã, apesar da tosse, sentia-me com energia. O JD larga a maminha e volta a dormir. Eu tento dormir mas já não consigo.


Por volta das 6h30 começo a sentir uma moínha no baixo ventre. Não liguei. Passado um pouco volto a sentir. Conto o tempo. Demora uns 30 segundos. Mais uns minutos e outra moínha. OK, pode ser algo. Começo a registar numa aplicação de contagem de contracções que tinha instalado no telemóvel umas semanas atrás. Umas separam-se por 14 minutos outras por 23, outras por 10. Envio mensagem à Raquel só a avisar que pode ser algo mas ainda sem certeza e deixo-me ficar na cama a descansar até às 8h30, hora em que decido levantar-me para preparar o pequeno almoço. Conforme começo a andar na cozinha as contracções tornam-se mais intensas e regulares, entre 8-10 minutos.

Às 9h o JD acorda e trago-o para a sala para lhe dar o pequeno almoço. Ainda há uma série de coisas que quero fazer antes do parto mas o tempo parece voar e as contrações estão cada vez mais intensas e próximas. Tento comer ao mesmo tempo que preparo o pequeno almoço do JD, deixo o tabuleiro de snacks para mim e para as parteiras na bancada, o frasco para a tintura de placenta, os chás, a água de coco, tudo o que possa precisar.


Às 9h30 as contracções estão ora de 3 em 3 minutos, ora de 5 em 5, ora de 7 em 7, mas já requerem que pare o que estou a fazer e me concentre na respiração. Abraço o João e digo-lhe "amor, estou com contracções". Damos um abraço ainda mais apertado e dizemos um ao outro que vai correr tudo bem. Ele levanta-se e começa a preparar a casa. É preciso rodar a cama para criar espaço para a piscina. Aspira, estende a roupa, deita fora o lixo, trata da gata.


Às 10h vou tomar banho mas não me demoro. Saio do banho e falo com a Raquel pelo telefone. Ela transmite-me serenidade, como sempre, e grande entusiasmo. "Que maravilha Joana! Estamos aqui, quando achares que é hora de ir. O que te apetece?" A pergunta baralha-me mas depressa lembro-me que eu sou dona deste parto, posso e devo exprimir tudo aquilo que quero, e a Raquel sabe e quer que assim seja, é essa a postura dela. "O que me apetece? Apetece-me ficar sossegada no meu canto em silêncio...", respondi eu. "Boa, faz isso!", diz-me ela. Começo a vestir-me e tiro a minha última fotografia da nossa barriga.




O JD já anda pela casa com as suas brincadeiras. "A bebé vem aí, João Diogo! Vamos escolher a roupa da bebé?" sussurro-lhe eu, e vamos juntos ao armário escolher a primeira roupa da mana, algo que eu deixei propositadamente para fazer neste momento. Não preparei mala de maternidade, não quis canalizar nenhuma energia para essa eventualidade. Vou buscar o meu cristal azul (cujo nome não me recordo porque não percebo nada de cristais mas gosto do simbolismo de ter um amuleto que me reforce o chakra da garganta, o que me falhou no parto do JD), a nossa grinalda de frases que preparei para ler durante o parto e a carta que escrevi ao João para lhe entregar quando entrasse em trabalho de parto. Na carta peço-lhe que não tenha medo, explico-lhe que a dor é boa e eu quero senti-la, que confie em mim, na nossa bebé e nas nossas parteiras, que não me deixe desistir e que desfrute também ele deste parto que também é seu. Ele comove-se ao ler e abraçamo-nos. Estamos prontos para receber a nossa menina.


A partir das 11h já não saio mais do quarto. As contrações estão intensas e vergam-me até ao chão. Encontro conforto debruçada à beira da cama de joelhos no chão com os meus amuletos por perto. Vou registando cada contração na aplicação porque quero recordar mais tarde e porque me ajuda ver quanto tempo falta para terminar cada uma. Todas elas estão a durar cerca de 50 segundos e sossega-me ter alguma percepção do tempo a passar. Peço ao João que me pressione os ossos da bacia durante as contracções, que são agora de 3 em 3 minutos, às vezes menos. Nas pausas fecho os olhos e fico em silêncio. Balanço suavemente a anca e relaxo. O João vai até à sala nos intervalos ver como está o JD.


Às 11h30 digo à Raquel que talvez pudessem vir pois está intenso e sinto náuseas durante as contracções. Felizmente as náuseas passaram pouco tempo depois.





Por volta das 12h a Raquel e a sua colega chegam. Foram muito rápidas pois já tinham vindo para a zona. Entram silenciosas e transmitem enorme serenidade. Trazem todo o seu material: oxigénio, equipamento de reanimação, fármacos para emergências, material para suturação, piscina, etc. Abraços apertados e olhares brilhantes de cumplicidade e confiança entre nós. Elas preparam o que têm a preparar em silêncio, falando em sussurros, e sentam-se no chão do quarto observando e esperando pacientemente. Estão ali para o que eu precisar e pedir mas deixam-me viver o meu processo sem interferir.

Continuo na minha dança dizendo ao João "aperta" sempre que começa uma nova contração. E ele apertou, em cada uma, de joelhos no chão atrás de mim. E no minuto de pausa tirava fotos, ía à sala ver o JD, dar-lhe comida, distraí-lo com algo...Incansável! De vez em quando o JD vinha ao quarto ver-me, fazer-me festinhas, mostrar-me brinquedos...Uma das vezes trouxe papel higiénico para colocar sobre a minha cabeça como quem enfeita a cabeça de uma noiva com um véu. Eu estava a achar tudo um amor mas continuava no meu foco, as contracções assim o exigiam.


Elas perguntam-me se desejo aplicar óleo essencial de cravinho na zona lombar que me poderá aliviar um pouco a dor. Eu aceito e incentivam o João a aplicar-me o óleo com uma massagem, o mesmo óleo que me resolveu a dor ciática umas duas semanas atrás. De vez em quando elas verificam a frequência cardíaca da bebé e a minha tensão arterial, que estiveram sempre bem.


E assim se passaram as 13 e as 14 horas. Sempre me imaginei parir durante a noite à baixa luz mas a nossa menina decidiu vir durante o dia, um dia solarengo de céu azul. Vou navegando na dor, um minuto de contração intensa alternado com um minuto de pausa, onde consigo relaxar e recuperar em silêncio e de olhos fechados. A dor é quente e envolve-me todo o quadril, obrigando-me a mexer a anca numa dança ritmada que me sai naturalmente sem pensar. Já me tinham dito que o trabalho de parto é como uma dança que nos propomos a dançar sem pensarmos em como vamos mexer o corpo, simplesmente mexemos, sai-nos naturalmente.





Houve algumas coisas que me lembro de pensar durante as contrações. Penso na minha mãe e em como ela passou pelo mesmo para me ter a mim e à minha irmã mesmo sendo uma mulher extremamente insegura, e em como a admiro ainda mais. Penso nas minhas ancestrais e pergunto-me quanta coragem teriam para se entregarem ao parto, mesmo não conhecendo todos os pormenores técnicos e científicos que conhecemos hoje. Sabemos as fases, o que esperar, os riscos, todos os detalhes do processo (ou julgamos saber)...Talvez fosse esse o segredo delas, entregarem-se à natureza do parto sem questionarem o que quer que fosse, aceitando e vivendo. Penso em como me sinto feliz por estar em casa, que bênção! Sinto-me tão segura, tão serena! Não tenho medo! O medo que senti no parto do JD, o bloqueio, a submissão...Não! Eu não tenho de ser submissa agora, eu sou a dona deste parto. Sinto o meu poder. Não sinto necessidade de me proteger de quem está comigo, pelo contrário, sinto uma enorme confiança o que me permite entregar-me por completo. Não tenho medo de progredir! Entrego-me à dor, navego nela, desejando abrir e relaxar para conhecer a minha bebé. Penso em como estando num hospital seria tão fácil ceder mais uma vez à epidural...É como estar na praia num dia de muito calor a morrer de sede e passar alguém a oferecer água. Quem não aceitaria? Mas depressa afasto esse pensamento. Eu sei que quero sentir tudo isto. Dói muito mas eu preciso de sentir isto do início ao fim. Penso em como a natureza é perfeita por nos dar este minuto de pausa entre contracções, sem dor, onde consigo relaxar. Tão bom...

Uma coisa começa a causar-me ansiedade, a piscina ainda não foi montada. Será porque elas acham que ainda falta muito? Pergunto à Raquel porque não montam a piscina. Ela diz-me que está ali pronta para ser montada se eu quiser. Eu penso por uns segundos e decido que não quero. Estou bem no meu cantinho de conforto com o João a apertar-me as ancas, quero permanecer assim. Trazem-me água de coco e eu bebo um pouco, sabe-me bem e é importante manter-me hidratada.



Por volta das 14h a dor muda. Já não é tão óssea, é mais interna. Uma pressão! Ah é isto a vontade de fazer força! Eu sinto! Ela vem aí! - grito. Esta era a sensação que eu tanto ansiava poder sentir - a vontade de fazer força. Não a senti no parto do JD e sempre ficou a faltar este pedaço, como se me houvessem roubado algo que me pertencia. E a vontade de fazer força veio e foi crescendo de contração para contração. Já não respiro ritmadamente como fiz até aqui. Agora saem-me sons pela boca. São gemidos, por vezes urros animalesmos, que não sei de onde vêm, nunca me ouvi emitir estes sons. E crescem tornando-se cada vez mais altos e poderosos.


A Raquel sussurra-me "Joana, estás perfeita mas estás a transformar grande parte da tua energia em energia vocal para o exterior. Tenta usar para o interior, gritos internos que conduzam a energia para baixo." Eu concordo e percebo como tenho de canalizar esta energia. De vez em quando vocalizam sons atrás de mim, sem dizerem nada, e eu instintivamente vou atrás desses sons e torna-se ainda mais claro como posso usar esta energia para fazer progredir o parto. Lembro-me de ter lido que a boca e a cérvix estão interconectadas. Se uma relaxa e abre a outra também.


Seguem-se várias contrações em que o meu corpo faz força por si. Em cada contração sinto uma, duas, três ondas de força. Vêm de dentro, ninguém precisa de me dizer como ou quando fazer. Penso em como é bom não ter ninguém a dizer-me quando tenho de fazer força e quando tenho de parar, como tenho de respirar ou prender a respiração. Penso em como agora vivendo o processo assim na sua natureza essas indicações não me fazem sentido algum e estão tão desconectadas da realidade do parto.


Começo a ficar um pouco impaciente por já estar a fazer força há algum tempo e ainda não se ver a cabeça da bebé. Impaciência sem sentido porque eu sei que o melhor para nós é que ela faça o seu percurso lenta e suavemente no canal vaginal. Numa pausa entre contrações sussurro à Raquel "Raquel, achas que está quase?". Ela responde-me num sussurro "Eu não sei dizer se está quase mas estás perfeita! Está tudo perfeito!". "E se me fizesses o toque?", pergunto eu. Tínhamos falado sobre isto na consulta do dia anterior. Eu tinha-lhe confessado que os toques foram uma das coisas que mais me incomodaram no parto do JD. Foram muitos, todos eles dolorosos e sem qualquer informação ou pedido de consentimento. Num deles romperam-me a bolsa sem sequer me informarem disso. Ela explica-me que só faz toques se a mãe quiser ou se houver necessidade extrema para isso, por exemplo num trabalho de parto que pareça não progredir. Eu digo-lhe que talvez eu própria depois quisesse saber como estaria durante o trabalho de parto, caso contrário não faríamos toques. E assim foi, eu senti necessidade de saber o meu estado e ela fez-me o único toque de toda a gravidez e parto, e mal o senti tal foi o seu cuidado e delicadeza. "Tens a dilatação completa Joana, podes fazer força quando assim o sentires. Senti a vossa bolsa também."


Fiquei feliz e aliviada por estar com a dilatação completa mas a bolsa intacta causou-me dúvidas pois não tínhamos falado muito sobre isso nas consultas. No intervalo seguinte pergunto à Raquel "Então assim com a bolsa é mais difícil fazê-la descer, não é?" e ela sussura-me com um sorriso tranquilizador "Assim é perfeito para vocês...". E eu sabia que era mas o cérebro às vezes prega-nos partidas. Eu sabia que quanto mais tempo a bolsa estivesse intacta menor a probabilidade de complicações.

Mais contrações, mais força que vem de dentro. Ía jurar que já se poderia ver a cabeça e volto a sussurrar à Raquel "Raquel, já se vê a cabeça? Eu sinto tanta pressão da cabeça...". Ela tem acompanhado o processo deitada no chão com uma lanterna na mão para me observar. "Eu ainda não vejo a cabeça. Queres experimentar dobrar esta perna para ver como te sentes?". Eu aceito colocar uma das pernas de cócoras enquanto fico com o outro joelho no chão. Na contração seguinte sinto bem a diferença e a razão para ela sugerir esta posição. A pressão é bem mais intensa e a vontade de fazer força também. Acolho-a e deixo o meu corpo guiar-me. Faço força instintivamente, grito, sinto a cabeça dela descer dentro de mim. Ouço um barulho e muito líquido que sai e que faz o João afastar-se num impulso. "Foi a bolsa!", diz a Raquel. Sinto a minha bebé remexer-se na barriga como se se empurrasse com um pé no topo do meu útero para baixo e grito. Estes gritos selvagens que saem de mim, nunca pensei que fosse emitir tantos sons, eu que sou tão apagada na minha voz. Mas agora sinto o poder dentro de mim! Sinto-me solta e livre!


Penso em como estará a sentir-se o João e sussurro-lhe "eu estou bem, não tenhas medo" e pergunto pelo JD. "Ele está bem, está na sala a comer morangos.", responde-me ele. Penso no que estará a pensar ele ao ouvir-me assim, não estará assustado? Mas ele está calmo, um pequeno herói...


A Raquel pergunta-me se eu aceito que ela me apoie o períneo na saída da cabeça. Tínhamos falado sobre isto nas consultas, que poderia ser bom dado o meu historial anterior de uma episiotomia grande, que se revelou depois mal cicatrizada, e fragilidade pélvica resultantes do parto do JD. Eu tinha-lhe dito que queria que ela me fizesse esse apoio para evitar rasgar. Mesmo assim, ela volta a pedir o meu consentimento. É isto o parto respeitado!


Uma contração intensa, o meu corpo faz toda a força que poderia imaginar ser possível e tenho uma visão de fogo ao mesmo tempo que me sinto a arder - é o anel de fogo. A cabeça sai. "Queres sentir a cabeça da tua bebé?", pergunta-me a Raquel. Eu coloco a mão e sinto a sua cabeça já de fora, húmida e macia. Que emoção! Estamos tão perto! "Oh meu amor! Está quase! A mãe está aqui!", digo-lhe eu emocionada. Ouve-se um tossir de bebé. "Ela já quer respirar!", diz a Raquel.


Mais uma contracção e uma força gigantesca que vem de dentro e o seu corpo sai de rompante. São 15h08.





A Raquel recebe-a e passa-me-la de imediato e eu encosto-a ao meu corpo e choro de alegria. O João está ao meu lado de joelhos no chão emocionado e acaricia-nos e eu digo-lhe "Conseguimos!" e chamo pelo JD que ainda está na sala. E naquele momento vêm-me mil coisas à cabeça! Uma sensação de vitória, de conquista. A noção de que tudo correu como sempre deveria ter corrido. Um parto natural sem fármacos nem intervenções que sempre foi meu e que finalmente me foi devolvido. A sensação de que ao viver isto honrei as minhas ancestrais cujo poder herdei, e todas as mulheres cujos partos foram também roubados e que foram levadas a acreditar que não conseguiriam fazer nascer os seus bebés sem intervenção de alguém.


Naquele preciso momento sinto que todas nós, irmãs, conseguimos fazer a minha bebé nascer!

A Raquel e o João ajudam-me a deitar-me na cama com a bebé sobre mim e o pai vai buscar o JD para conhecer a mana, enquanto a a placenta nasce e a Raquel verifica se há hemorragia (não houve). O pai surge com o JD ao colo e eu digo-lhe "Olha amor, a bebé já saiu da barriga!". Ele observa admirado e diz na sua inocência "Ah! O bebé! O bebé 'tá sujo! Blecka...". Poucos minutos depois a Joana Carolina está na mama pois senti que já a procurava e lá ficou nas 2 horas seguintes. Elas limpam tudo e tratam de mim. Acabei por rasgar um pouco com a saída brusca do corpo, na zona frágil da episiotomia do parto do JD. Fantasmas de um parto anterior que ficaram e talvez ficarão para sempre.




Depois de tudo limpo e arrumado, mãe e bebé alimentadas, vamos então cortar o cordão umbilical. A Raquel dá a escolher ao JD a cor da linha a usar e ele escolhe o verde. A Raquel ata três pedaços de linha no cordão ao mesmo tempo que expressa desejos de uma vida plena à Joana Carolina. O pai corta o cordão, desta vez não lhe roubam isso. E assim ela liberta-se de mim para a vida! Estamos felizes, muito felizes!


Que tenhas uma vida mágica, doce Joana Carolina!





Podem ler o relato do meu primeiro parto aqui e mais sobre o primeiro parto aqui.


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