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VEGETARIANO/VEGAN 2016

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Detox: sim ou não?

Depois dos excessos cometidos durante a época festiva e com a chegada do ano novo e das suas resoluções, a palavra "detox" paira no ar. Abusámos durante os festejos, certamente comemos o que queríamos e o que não queríamos, e agora queremo livrar-nos do "lixo" acumulado e, sobretudo, daqueles quilinhos a mais que se instalaram sem ninguém os convidar.

Por um lado, temos uma vasta gama de produtos, sumos, batidos, etc,  que anunciam propriedades destoxificantes e depurativas. Por outro lado, temos alguns elementos da comunidade médica e científica a dizer que são tudo balelas, que esses produtos são "banha da cobra" e há quem afirme até que quem vende esses produtos não consegue nomear nenhuma toxina que seja eliminada porque elas não existem.

Quem tem razão então?


Na minha singela opinião, ninguém e ambas as partes. Vamos ver porquê...

"Detox" pressupõe a eliminação de "toxinas" do nosso corpo. 

Mas o que são toxinas? Por definição, toxina é uma substância venenosa produzida através da atividade metabólica de certos organismos vivos, como bactérias, insetos, plantas e répteis. Botulismo, tétano, desinteria e difteria são algumas doenças conhecidas provocadas por toxinas bacterianas. O veneno das cobras deve a sua ação tóxica à presença de toxinas, que podem alterar o comportamento da vítima, diminuir a pressão arterial e até mesmo provocar a falência de órgãos. Os cogumelos venenosos também eles devem a sua toxicidade à presença de toxinas que podem ter efeitos variados quando ingeridas, desde efeitos neurotóxicos graves a ação irritante gastrointestinal. 

Certamente não são estas as toxinas que são o alvo das "dietas detox" e talvez seja esta a razão da confusão...

​Mas se por um lado não faz sentido falar de dietas detox para eliminar este tipo de toxinas do nosso organismo, por outro lado não podemos negar que o nosso organismo acumula determinadas substâncias que são contaminantes comuns da nossa alimentação e que poderão ser "tóxicas".  ​Vamos falar de algumas delas.



Metais pesados: Os metais pesados incluem os elementos que estão entre o cobre e o chumbo na tabel aperiódica, como o antimónio, o arsénio, o cádmio, o crómio, o mercúrio, o níquel, o selénio, o zinco, o estanho, etc. Alguns desempenham funções essenciais no nosso organismo (como o cobalto, o cobre, o zinco, o selénio, o manganês, o molibdénio, etc) , mas em níveis excessivos poderão ser extremamente tóxicos. Outros como o mercúrio, chumbo e cádmio não possuem nenhuma função dentro dos organismos e a sua acumulação pode provocar graves doenças.

As principais fontes de contaminação humana com metais pesados são canalizações com chumbo, peixe (como o salmão, o atum e o peixe espada), termômetros de mercúrio (quando partidos), lâmpadas de baixo consumo (quando partidas), utensílios de cozinha de alumínio que contenham outros metais pesados, vacinas com timerosal (etilmercúrio), pesticidas, produtos de higiene e cosmética convencional, gasolina, tabaco, aditivos alimentares, alguns medicamentos, água provenientes de minas e indústrias e outras águas não tratadas e amálgamas dentárias antigas contendo mercúrio.

A eliminação dos metais pesados tóxicos só é feita em casos de envenevamento agudo com agentes terapêuticos com propriedades quelantes como o CaEDTA, DMPS, DMSA, os quais podem ter efeitos secundários graves. O alho, a clorela, os coentros e a spirulina são alguns dos alimentos naturais apontados como potenciadores da eliminação de metais pesados uma vez que também possuem propriedades quelantes daqueles metais. Embora existam alguns estudos que demonstrem que estes alimentos poderão potenciar a eliminação de metais pesados em animais ou ecossistemas modelo, perecem ainda não existir estudos em humanos (1-3).



Dioxinas, poluentes químicos e disruptores endócrinos As dioxinas e são um grupo de compostos poluentes do ambiente que se acumulam na cadeia alimentar, em particular no tecido gordo animal, sendo que 90 % da exposição humana ocorre através do consumo de carne, peixe, marisco e lacticínios. Estes compostos são produtos resultantes de processos industriais comuns como a produção de determinados herbicidas e pesticidas, o branqueamento do papel, processos na indústria metalúrgica e incineração.

As dioxinas são altamente tóxicas, podendo causar alterações hormonais, problemas de desenvolvimento e reprodução, danos no sistema imunitário e cancro. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, não há muito que o cidadão comum possa fazer para evitar a exposição a este tipo de compostos para além de reduzir o consumo de gordura animal e aumentar o consumo de frutas e vegetais (4). Cabe à indústria e à autoridades mundiais adotar medidas que reduzem e controlem a contaminação do meio ambiente e da cadeia alimentar com este tipo de compostos.

Para além das dioxinas, muitos outros poluentes atmosféricos têm também um efeito disruptor hormonal, como por exemplo, os ftalatos (presentes em muitos cosméticos), bifenilos policlorados (presentes no lixo industrial e incineração, podendo contaminar a cadeia alimentar), hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (formados na combustão incompleta de combustíveis fósseis, madeira, tabaco, matéria gorda, incenso, etc), agentes brominados retardadores da combustão (adicionados aos plásticos, mobílias e textéis), alquilfenóis (adicionados a detergentes, polímeros, fragrâncias, etc) e compostos perfluorados (PFCs) (compostos utilizados em indústrias diversas incluíndo o fabrico de polímeros).

A grande maioria destes compostos é lipossolúvel, ou seja, é solúvel em gordura e tende a acumular-se no nosso organismo no nosso tecido adiposo (tecido gordo). O nosso organismo é dotado de potentes sistemas de destoxificação no nosso fígado (as enzimas do citocromo) que, aparentemente, conseguirão metabolizar e eliminar parte destes compostos, embora os mecanismos ainda não estejam completamente descritos em humanos (5).

Poderá o "detox" potenciar a sua eliminação? Talvez, mas não existem estudos que o comprovem. Geralmente as "dietas detox" pressupõem uma restrição calórica severa. Quando o corpo recebe menos calorias que as que necessita para as tarefas diárias e para o metabolismo basal, recorre às reservas disponíveis, sendo uma delas o tecido gordo. É possível que a eliminação de massa gorda promova a eliminação conjunta de substâncias nela acumuladas, incluíndo alguns poluentes químicos e disruptores emdócrinos. Por outro lado, existem determinados alimentos que poderão estimular ou inibir a ação de determinados enzimas do sistema citocromo no fígado (o sistema enzimático responsável pelo metabolismo de grande parte deste tipo substâncias). O alho, a ginko biloba, o chá verde, o gengibre, a pimenta, o rosmaninho, o turmérico e o ginseng são alguns dos alimentos que parecem ter uma ação modulatória dos enzimas do citocromo (6).

​Aditivos Alimentares Os aditivos alimentares são substâncias com ou sem valor nutritivo que servem, por exemplo, para conservar, dar cor ou intensificar o sabor aos alimentos. Existem centenas de aditivos alimentares autorizados na União Europeia mas nem todos são inofensivos. Alguns provocam efeitos secundários que vão desde os problemas digestivos, a alterações na pele, passando por rinite ou crises de asma, ou mesmo a alteração do comportamento das crianças ou o cancro. 

Alguns dos aditivos alimentares a evitar, seja porque os seus efeitos são duvidosos, seja porque existem evidências clínicas que apontam para os seus efeitos nefastos são: Vermelho allura AC (E129), Amarante (E123), Aspartame (E951), Ácido Benzóico (E210), Butil-hidroxianisol (E320), Nitrito de Sódio (E249), Nitriti de Potássio (E250), Nitrato de Sódio (E251), Nitrato de Potássio (E252),  Benzoato de Cálcio (E213), Sulfito de Cálcio (E226), Glutamato monossódico (E621), Ponceau 4R (E124), Benzoato de potássio (E212), sacarina (E954), Metabissulfito de sódio (E223), Sulfito de sódio (E221), Cloreto de estanho (E512) Dióxido de enxofre (E220), Amarelo-sol FCF (E110), Tartarazina (E102), Acessulfame K (E950) e sal de aspartame e acessulfame (E962). ​ A DECO disponibiliza uma ferramenta online que permite a pesquisa e a obtenção de informação e classificação dos aditivos alimentares aqui).

Outros compostos indesejáveis podem estar presentes nos alimentos que são confecionados de forma inadequada. É o caso das acrilamidas, que são compostos com conhecida ação carcinogénica e neurotóxica que se formam durante a confeção de alimentos ricos em amidos a elevadas temperaturas, como por exemplo durante as fritura. A sua formação pode ser reduzida optando por cozer os alimentos em água ou a vapor. As acrilamidas são metabolizadas pelo fígado e os seus subprodutos podem interagir com o DNA e com a hemoglobina.

Uma vez que estes aditivos alimentares têm naturezas diversas, o seu metabolismo no nosso organismo poderá variar, sendo que alguns poderão acumular-se e outros serão facilmente excretados. 


Então em que é que ficamos? Faço ou não faço o detox? Não vos vou dizer se devem ou não fazer um detox porque isso é uma decisão pessoal e que deve ser ponderada por cada um de vós. Eu nunca fiz um detox planeado e não tenciono fazê-lo. Não que tenha alguma coisa contra quem o faz (muito pelo contrário porque geralmente durante o detox não são ingeridos produtos de origem animal e por isso todos ficamos a ganhar…). Na minha opinião, o tipo de dieta que sigo já é um "detox permanente e saudável" em si, se assim se poderá chamar. Acredito mais na adoção de estilos de vida saudáveis de forma permanente e não em dietas extremas que poderão danificar o nosso metabolismo e sistema endócrino.

Resumindo... O detox funciona? Não existe uma única resposta para esta questão até porque existem inúmeros tipos de detox diferentes. De qualquer forma, parecem não existir estudos que demonstrem a sua eficácia.

Os "alimentos detox" eliminam toxinas?  As toxinas propriamente ditas (aquelas de que vos falei no inicio do artigo, provenientes de bactérias e das cobras) não certamente. Mas outras substâncias indesejáveis e com efeito tóxico no nosso organismo, talvez.

Os detox são saudáveis ou são perigosos? Depende da forma como forem feitos. Dietas altamente restritivas em calorias, macro e micronutrientes nunca serão saudáveis e poderão mesmo ser perigosos.

Os detox fazem perder peso? Povavelmente, uma vez que a maioria dos detox pressupõe restrição calórica. De qualquer forma, essa perda de peso não será certamente permanente e tenderá a voltar assim que se reiniciar a alimentação normal. O que faço então? Deixo-vos algumas dicas que sigo no dia a dia e que vos poderão ser úteis caso também pretendam transformar o vosso estilo de vida num "detox permanente e saudável": - Não consumir produtos de origem animal (ou reduzir ao mínimo o seu consumo já estes são grande fonte das substâncias tóxicas e metais pesados a que o homem está exposto); - Consumir alimentos provenientes de agricultura biológica sempre que possível; - Fazer exercício físico diariamente, pois estimula um metabolismo saudável e alguns metabolitos indesejados são também eliminados na transpiração; - Comer uma grande abundância de frutas e vegetais, uma vez que estes são ricos em vitaminas, sais minerais, antioxidantes e outros fitonutrientes protetores; - Incluir com alguma frequência alimentos com conhecida ação destoxificante, como o alho, o gengibre, os coentros, a spirulina, etc; - Não consumir (ou evitar ao máximo) alimentos contento aditivos alimentares; - Não consumir (ou evitar ao máximo) substâncias que possam afetar a digestão e metabolismo, como o glúten, a cafeina e o álcool.

Espero que este artigo vos seja útil. Gostava de saber a vossa opinião sobre este assunto. Comentem em baixo! ​

Referências 1. Hanafy MS. et al., Effect of garlic on lead contents in chicken tissues,  Dtsch Tierarztl Wochenschr. 1994 Apr;101(4):157-8.  2. Han X. et al., Effects of anion species and concentration on the removal of Cr(VI) by a microalgal isolate, Chlorellaminiata, J Hazard Mater. 2008 Oct 30;158(2-3):615-20. 3 Al-Homaidan AA. et al., Adsorptive removal of cadmium ions by Spirulina platensis dry biomass. Saudi J Biol Sci. 2015 Nov;22(6):795-800. 4. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs225/en/ 5. Inui H. et al., Mammalian cytochrome P450-dependent metabolism of polychlorinated dibenzo-p-dioxins and coplanar polychlorinated biphenyls. Int J Mol Sci. 2014 Aug 13;15(8):14044-57. 6. Cho, H. et al., Pharmacokinetic Interactions of Herbs with Cytochrome P450 and P-Glycoprotein, Evid Based Complement Alternat Med. 2015;2015:736431.