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5 coisas que aprendi ao ser mãe e mulher de negócios (e uma receita que me acalma)


Olá, eu sou a Joana e sou mãe e mulher de negócios, ambos a tempo inteiro.


Parece um paradoxo, não é?


Antes de mais, quero dizer-vos que não gosto muito da expressão “mãe a tempo inteiro”. Acho muito injusta para as mães que trabalham fora de casa – serão elas “mães a tempo parcial”? Penso que somos todas “mães a tempo inteiro”, quem consegue desligar a 100 % do seu papel de mãe? Diria que nenhuma de nós...


Ainda assim, uso a expressão aqui para vos enquadrar na minha vida a nível pessoal e profissional.

Sou mãe do JD há cerca de 17 meses e ele está em casa comigo. Ao mesmo tempo, sou trabalhadora independente: sou criadora do Just Natural Please (este sítio aqui onde estamos agora) que pretende ser uma plataforma de inspiração para uma Alimentação - Vida – Parentalidade mais consciente, mais saudável, mais alinhada com a Natureza de cada um de nós. Sou também criadora da Just Granola Shop, que surgiu no âmbito deste conceito, para venda de granolas, barritas e outros alimentos biológicos.


Ser mãe é das coisas (se não a coisa) mais difícil que a vida me proporcionou.

Para mim, é aquilo que mais me desafia no meu dia a dia, que mais me põe à prova, que mais me transforma e mais revela o melhor e o pior de mim.


Conciliar esta tarefa com a gestão de um negócio não é fácil, como podem imaginar. Há muitas noites em que se dorme muito pouco, há muito cansaço, há muita frustração de não conseguir fazer tudo...Mas é a vida que eu escolhi e que continuo a escolher todos os dias, e pela qual estou enormemente grata.


E com todas as dificuldades, obstáculos e desafios, surgem as aprendizagens. E é um pouco dessas aprendizagens de mãe e mulher de negócios que quero partilhar hoje convosco.


Deixo-vos então 5 coisas que aprendi ao ser mãe e mulher de negócios (e uma receita que me acalma).



1. É importante saber pedir e aceitar ajuda


Esta foi das coisas mais difíceis de aceitar para mim. Eu sempre fui pessoa de querer fazer tudo sozinha. Nunca percebi bem porquê mas acho que é um misto de orgulho, teimosia e diplomacia. Por um lado, custa-me pedir ajuda porque penso muitas vezes que posso estar a incomodar ou a invadir o espaço de alguém. Por outro, reconheço uma certa teimosia e orgulho em poder mais tarde afirmar "sim, fui eu que fiz e fiz sozinha!".


Com o passar dos anos, a maturidade e algumas pessoas com quem me fui cruzando que me inspiraram, comecei a perceber que sozinha é bom mas com ajuda pode ser ainda melhor. Tal como o refrão da canção, "juntos somos mais fortes...".


Na sociedade em que vivemos, as mães estão muitas vezes isoladas, desamparadas, sós...Mas para criar uma criança é preciso uma aldeia. A certa altura, todas nós precisamos de ajuda. Todas nós precisamos de nos afastar momentaneamente da nossa cria para encontrar o nosso espaço, a nossa identidade, o nosso silêncio. Eu aprendi que preciso destes momentos. E sendo mãe e mulher de negócios, a ajuda é ainda mais fundamental.


Na prática, aprendi que:


· É fundamental comunicar que preciso de ajuda

As pessoas que me rodeiam podem ajudar-me mas não adivinham que preciso de ajuda. O homem então não faz mesmo a mínima, mesmo naquelas alturas em que acho que é óbvio e que ele deveria perceber por si próprio (acho que é deles mesmo...).Tenho de ter a humildade de saber pedir e saber aceitar o “não”, se for caso disso.


Eu sou uma privilegiada porque o horário de trabalho do João permite que ele seja um pai muito presente e que possa ficar com o JD durante parte da tarde se eu precisar de trabalhar, de descansar ou de preencher qualquer outra necessidade minha. Temos também o privilégio de ter uma avó disponível e sempre pronta a ajudar quando é preciso.


· É importante estabelecer uma rede de colaborações para o meu blog

Recentemente, fizeram-me ver que para o meu blog pode também ser muito benéfico ter uma rede de colaborações que me permita ter mais e melhor conteúdo para o blog, melhorar a qualidade dos meus posts, ter mais divulgação, aprender mais...E por isso, tenho perdido a vergonha e tenho proposto várias colaborações e penso que o resultado vai ser muito bom!


· Sou autodidata mas há profissionais que me podem ajudar

No meu negócio eu tenho feito tudo praticamente sozinha: desenvolvo os produtos, crio os rótulos, faço o marketing, tiro e edito as fotografias, faço a criação e manutenção do site, faço a produção, as vendas, a distribuição...É um one woman show, como eu costumo chamar-lhe. No entanto, sei que há profissionais que me podem ajudar a elevar certos aspetos do meu negócio a um nível superior e, na maioria das vezes, o investimento necessário compensa.



2. A organização é a minha melhor amiga


Fazer planos com filhos é uma tarefa ingrata. Eles são cheios de surpresas e imprevistos. Sestas que não acontecem, noites que não são bem dormidas, pedidos de atenção irrecusáveis...Pode ser muito frustrante fazer planos e criar objetivos e não os conseguir concretizar.


Já houve alturas em que não planeava os meus dias nem estabelecia objetivos e deixava os dias fluirem, fazendo o que me fosse possível. Houve outras alturas em que estabelecia objetivos muito concretos e planos muito ambiciosos para os meus dias. Das duas experiências, aprendi que, se por um lado não há tanta frustração em não ter objetivos delineados, por outro aprendi que os meus dias não são tão produtivos se não houver um mínimo de planeamento e acabam por acontecer esquecimentos, por vezes com consequências significativas para o meu negócio.


Assim, aprendi que o equilíbrio está no meio termo (como seria de esperar...). Aprendi que para mim funciona muito bem planear minimamente os meus dias e criar objetivos a curto, médio e longo prazo mantendo sempre o mindset de que tudo é minimamente flexível e ajustável, de forma a evitar a frustração de não conseguir cumprir todos os objetivos.


Há diversos níveis de organização e muitas estratégias e ferramentas que podemos utilizar para melhorar a nossa organização pessoal e profissional. A querida Vânia do blog Made by Choices escreveu um artigo muito completo sobre esta temática, cuja leitura recomendo vivamente. Neste artigo, a Vânia explica muito bem como podemos organizar a nossa vida em diversas áreas e como definir objetivos, metas e prioridades para cada uma delas, colocando a organização num patamar bastante elevado, o que a certamente a ajudou a atingir e manter o seu merecido sucesso.


Eu, sendo mãe, e também pelo meu perfil (há uma parte em mim que gosta do “não planeado” e do “espontâneo”) aplico algumas das estratégias que a Vânia menciona mas não consigo elevar a minha organização ao patamar da Vânia...

Na prática, aprendi que o que funciona para mim é:


· Reduzir o planeamento aos níveis profissional e pessoal

Todas as outras áreas da minha vida que não dependem só de mim (vida familiar, casa, lazer, alimentação, finanças) não têm neste momento grande planeamento formal nem objetivos definidos (pelo menos no papel) – vão acontecendo espontaneamente.


Já houve alturas em que tentei categorizar e planear outras áreas, como a limpeza da casa, as refeições, as férias, etc, e não correu bem porque o que criei em mim foram mais oportunidades de sentir a frustração de não atingir os objetivos traçados. Como tal, reduzi o estabelecimento de objetivos apenas para estes dois níveis: nível pessoal e nível profissional. Ainda assim, vamos dar uma nova oportunidade ao planeamento das nossas refeições semanais e listas de compras uma vez que temo-nos deparado com muito desperdício alimentar cá em casa (a Bimby veio impulsionar essa organização uma vez que tem uma aplicação excelente para isso).


· Registar ideias sempre que elas surgem

Tenho um sítio de registo de ideias (caderno e telemóvel) onde vou registando ideias, tarefas ou objetivos que me vão surgindo ao longo do dia. A minha memória não é a mesma desde que sou mãe e se não escrever logo facilmente me esqueço.


· Organizar ideias/objetivos/tarefas por ordem de prioridade

Posteriormente, volto a esse registo de ideias e classifico cada ideia/objetivo/tarefa como sendo de concretização a curto (diários, semanais), médio (mensais, trimestrais) e longo (semestrais/anuais) prazo. Se for caso disso, coloco uma data limite de concretização e alarme no telemóvel ou email para mim mesma usando a aplicação Boomerang do Gmail (programo um email para mim mesma que chegará numa data e hora propícias).


· Fazer uma lista de objetivos do dia

Todos os dias (ou na grande maioria deles) faço um lista de objetivos do dia (primeira coisa da manhã ou última coisa do dia anterior). Assiná-lo esses objetivos com cores conforme a prioridade (urgência alta, média ou baixa – sim, tudo é urgente, uma mãe não perde tempo com coisas não urgentes, não dá!...).


Identifico a melhor altura do dia para realizar esses objetivos/tarefas porque há coisas que só podem ser feitas a determinada hora do dia. Por exemplo, para fotografar preciso de luz do dia; para fazer coisas que não possam ser interrompidas (produção de receitas para o blog, produção de produtos) preciso que o pai esteja presente ou que o miúdo esteja no período do sono longo da noite (e ainda assim não é garantido que não haja interrupção...). Algumas coisas mais simples (não muitas) consigo ir fazendo ao longo do dia mesmo com o JD acordado (publicações previamente preparadas, stories, entregar encomendas em que ele possa ir comigo).


· Rever frequentemente o registo de ideias

Todos os dias revejo o meu registo de ideias para avaliar que ideias/tarefas/objetivos dessa lista posso incluir na lista de objetivos do dia seguinte. Vou assinalando os objetivos atingidos conforme os vou concretizando, para não me esquecer que estão atingidos (e porque dá um gozo bestial fazer o check).



3. Se eu tratar de mim serei melhor


Ao ser mãe e mulher de negócios, aprendi que é tão fácil esquecer-me de mim enquanto mulher com identidade, com necessidades, com fragilidades...É muito fácil deixar-me ficar para último plano na correria do dia a dia. É muito fácil fazer noitadas e não dormir o suficiente (descobri uma capacidade em mim de não dormir que desconhecia antes de ser mãe...). É muito fácil deixar o cuidado do meu corpo e da minha mente para fim da lista de prioridades (ou mesmo fora da lista, muitas vezes...).


Mas rapidamente aprendi que eu sou uma prioridade. Eu sou “vermelho” no meu código de cores! Se assim não for tudo o resto se desmorona. Não sou boa mãe. Não sou boa mulher de negócios.


Obviamente que tive de adaptar as minhas expetativas em relação ao que é hoje tratar de mim, tive de adequá-las ao bulício da nossa rotina.


Na prática, aprendi a:


· Pedir ajuda para tirar tempo para mim

Peço ao João ou à avó do JD (ponto 1) sempre que preciso de um tempinho para um banho, um momento de silêncio ou meditação, uma caminhada ou corrida, um tempinho para a minha prática de yoga.


· Aproveitar todas as oportunidades para cuidar de mim

Aproveito sempre que dou maminha para fazer uma breve meditação: foco-me na minha respiração, na respiração do JD, e tento não pensar em mais nada. Tento estar presente. Aproveito várias oportunidades do dia (quando estou a conduzir, quando estou na fila dos CTT, etc) para fazer exercícios de Kegel e tratar do meu soalho pélvico.


· Cozinhar saudável para toda a família

É uma forma de cuidar de mim, cuidar deles e poupar tempo porque comemos todos o mesmo. Ajuda-me a manter-me saudável, com energia e a prevenir maleitas que afetarão a minha capacidade de ser mãe e mulher de negócios.


· Tirar 5 minutos para me arranjar sempre que saio de casa

Mesmo que o homem esteja a reclamar à porta de casa com a minha demora, não quero saber! Retoco o cabelo, coloco um pouquinho de make up, escolho uns acessórios...Antes de ser mãe não ligava nada a estas coisas mas agora sinto que preciso deste boost.


· Encontrar prazer nos momentos de brincadeira com o JD

Tratar do JD não precisa de ser sempre encarado como uma tarefa. Pode ser encarado também como uma forma de tratar de mim, de me divertir, de aprender...Aprendi a tirar prazer das histórias que lhe leio, das canções que lhe canto ou mesmo dos desenhos animados que vemos lado a lado no sofá. Aprendi a tirar prazer das idas ao parque, dos passeios no campo e das visitas à biblioteca...Recentemente até começámos a partilhar um chá de menta ou um ame-kuzu (o meu mais recente calmante natural, vejam a receita aqui) ao final do dia (ele vai bebericando da minha caneca quando só já está morno).



4. É fundamental saber desligar


Quem tem um negócio ou trabalha por conta própria sabe o quanto é difícil fechar as portas do trabalho em certos períodos. Se por um lado o meu trabalho dá-me uma enorme liberdade de escolher o meu horário, as minhas pausas, as minhas férias, por outro é muito difícil desligar e respeitar essas pausas. Os dias de semana fundem-se com o fim de semana, não há horários, as férias são adiadas ou interrompidas, o trabalho senta-se à mesa connosco à hora da refeição...


Com o tempo, e sobretudo sendo mãe, aprendi que tem de haver momentos em que desligamos, momentos em que o trabalho simplesmente não entra! Tem de haver momentos para estar em família sem interrupções de telemóveis ou de notificações de emails e redes sociais.


Na prática, aprendi a:


· Estabelecer períodos sem trabalho nem telemóvel

Todos beneficiamos cá em casa se houver períodos bem estabelecidos em que não falamos de trabalho nem mexemos no telemóvel para fins profissionais. Geralmente fazemos um dia por semana e às refeições.


· Conectar-me verdadeiramente com o JD várias vezes ao dia

Apesar de utilizar muito o telemóvel em frente ao JD, todos os dias tem de haver um ou vários períodos em que me desconecto do telemóvel e do trabalho para me conectar verdadeiramente com ele e estar totalmente presente para ele. Geralmente faço-o durante a manhã, ao final da tarde antes da hora do jantar e no momento em que vamos para a cama. E claro, sempre que sinto que ele está a precisar de mim a 100 %.


· Respeitar os momentos e as férias em família

As férias de verão em família para nós são sagradas e um dos momentos mais aguardados do ano. Aviso os meus clientes com antecedência que vamos estar de férias para podermos organizar da melhor forma as encomendas e assegurar os meus produtos nas suas lojas. Aviso os seguidores que vou estar ausente do blog e das redes sociais. Sempre que visito a família tento desconectar-me do negócio e utilizar o telemóvel o mínimo possível. Isso requer claro alguma organização antecedente, como deixar publicações prontas.



5. Navegar nos ciclos de equilíbrio-desequilíbrio com aceitação


Todos os negócios têm os seus altos e baixos. Há alturas em que as vendas estão em alta, outras em que estão mais fracas. Há alturas em que tenho mais feedback vosso aqui no blog, outras que nem tanto. Há publicações que têm mais impacto e alcance e outras que são mais tímidas.


Depois, enquanto mãe e mulher, estou sujeita também a vários ciclos: o ciclo hormonal, ciclos de introspeção e extroversão, necessidade de solidão e necessidade de convivência, robustez e fragilidade, etc. Há alturas em que me sinto completamente focada na maternidade, na casa e na família e outras em que tenho o meu foco em mim, no meu crescimento pessoal e profissional.


Levei algum tempo a compreender e aceitar estas flutuações mas com o tempo e com alguma ajuda externa aprendi estes ciclos são normais, fazem parte da vida e há que aprender a navegar através deles.


Na prática, aprendi a:


· Compreender as flutuações de sucesso/insucesso do meu negócio

Aprendi que é perfeitamente normal haver momentos altos e baixos, quer nas vendas quer no alcance do blog e há que manter a tranquilidade e continuar o trabalho com a mesma dedicação. É fundamental manter o otimismo e acreditar que depois da tempestade vem a bonança.


· Respeitar as minhas flutuações enquanto mulher

Aprendi a aceitar que em determinadas alturas do mês estou mais frágil, mais irritadiça, mais introspetiva. Aprendi também a comunicar ao João os meus estados de espírito de forma a não o apanhar de surpresa. Recentemente aprendi que o meu próprio perfil é dado a flutuações de introversão e extroversão. Há períodos em que preciso de me isolar, investigar, aprender, saciar a minha sede de conhecimento, que são depois compensados com períodos de extroversão, em que quero partilhar com o mundo as minhas descobertas, as minhas aprendizagens e explorar a minha criatividade ao fazê-lo.



Vejam esta receita do meu mais recente calmante natural: o ame-kuzu



Posto isto, pode ter ficado a ideia que tenho a minha vida totalmente resolvida, que sei o que quero, que consigo gerir o meu negócio e a maternidade na perfeição e que a minha vida, apesar de ocupada, é perfeita.


Errado!!!


Este texto é genuíno e nele encontram as minhas aprendizagens, que tentei passar com a maior honestidade possível. Mas na realidade, nem sempre as consigo aplicar no meu dia a dia. Nem sempre consigo estabelecer objetivos para o meu dia, muito menos cumpri-los. Nem sempre encontro a energia ou a disponibilidade mental para estar totalmente presente para o JD. O cuidado do meu corpo tem sido negligenciado nestas últimas semanas e a minha comunicação com o João nem sempre é a melhor.


Mas aceito que não sou uma super-mulher. Sou uma mulher normal, com conquistas e derrotas, com forças e fraquezas, que todos os dias tenta dar o seu melhor e que sente muitas vezes esse melhor não é suficiente...Como tantas outras!


Espero que gostem desta minha partilha e que vos seja útil.


Até breve,


Joana

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